Nutrição Infantil

Por Marina Toledo

É cada vez mais comum o surgimento precoce de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como a obesidade, o diabetes mellitus, a hipertensão… De acordo com relatos da Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 200 milhões de crianças já sofrem de males relacionados ao sobrepeso ou à obesidade. Segundo os dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nos anos de 2008 e 2009, 47% dos meninos e 44% das meninas, na faixa etária entre 5 e 9 anos, estavam com excesso de peso. Dados estes muito preocupantes, já que se estima que de 40 a 80% das crianças obesas serão adultos obesos.

A industrialização, a urbanização e a globalização trouxeram aumento da ingestão de produtos processados, cheios de calorias e gorduras ruins e pobres em nutrientes importantes, como vitaminas e minerais. Ainda  segundo a POF, entre as décadas de 1970 e 90 ocorreram grandes alterações no padrão de consumo alimentar paulistano, pautadas em uma queda significativa no consumo de alimentos básicos, como frutas e hortaliças, enquanto o consumo de alimentos processados apresentou grande expansão, registrando aumento de 500% para os doces, 300% para os refrigerantes e 400% para os biscoitos e bolachas, itens praticamente inexistentes nas prateleiras dos supermercados na década de 1970.

Além disso, as  novas tecnologias nos fizeram mais sedentários. A maioria das crianças não brinca mais nas ruas, nos parques e clubes. O maior interesse agora é por jogos eletrônicos, internet e programas de televisão, deixando o gasto energético diário cada vez menor. Outro agravante do acesso excessivo de crianças à internet e principalmente à televisão é que estes meio de comunicação investem massivamente em propagandas altamente apelativas, para atrair as crianças ao consumo de alimentos industrializados. Tanto é verdade que há um projeto de lei sendo votado na Câmara dos Deputados para regulamentar a publicidade infantil, e outras propostas, como a que obriga a divulgação de advertência sobre obesidade em embalagens de produtos altamente calóricos, e a que obriga a afixação de cartazes de advertência sobre a obesidade em estabelecimentos que comercializem alimentos fast food. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também já tentou regulamentar a publicidade de alimentos ricos em gordura e sal, mas ainda nada temos de concreto neste sentido.

Que a verdade seja dita: consumir alimentos naturais, feitos em casa,  já traz um enorme ganho para a  nossa saúde e para a saúde de nossas crianças! E, desta forma, não ficamos dependentes de normas e resoluções para saber exatamente o que estamos comendo!!!

O que fazer para reverter esta situação?

Seguem algumas dicas práticas para mudar a rotina das crianças e trazer mais saúde ao dia a dia:

Incentive mais atividades ao ar livre e que envolvam movimento, e menos TV e computador. Relembre aquelas brincadeiras de antigamente, como “pega-pega”, “queimada”, pular corda, elástico, “barra manteiga” e tantas outras.

Leve a criança à feira ou hortifrúti para conhecer os alimentos frescos, ver as formas, o cheiro, a textura. Fazê-las entender que o alimento de verdade não vem em pacotinhos, latas ou caixinhas é muito importante!

Sempre ofereça novos alimentos, para deixar o paladar da criança mais receptivo aos diferentes sabores ao longo da vida.

Faça pratos mais coloridos, com frutas, legumes e verduras! Uma boa apresentação estimula o consumo! Além disso, quanto mais coloridos, maior a oferta de nutrientes, como vitaminas e minerais.

Cozinhe com a criança para despertar o interesse pela comida! Receitas  saudáveis, rápidas e fáceis, como estas que apresentamos ao final da matéria, são ótimas opções!

Troque alimentos industrializados por alimentos caseiros! Feitos em casa, você sabe exatamente todos os ingredientes que os compõem! E, desta forma, não ingerimos os aditivos químicos presentes nos alimentos processados, que acabam depreciando nossa saúde.

Receitas

 Gelatina Feliz!

Livre de aditivos químicos, como corantes, aromas e conservantes. Cheia de vitaminas e minerais. Fonte de fibras que melhoram o funcionamento do intestino. Esta é a gelatina que alimenta de verdade! Seguem duas ideias de sabores, mas você pode inventar a sua!

Gelatina de uva com pedacinhos de ameixa
Ingredientes
3 xícaras (500ml) de suco de uva integral (de preferência orgânico);
2 colheres de chá de ágar-ágar (4g);
2 unidades de ameixa fresca cortada em cubinhos.

Gelatina de abacaxi com pedacinhos de pêssego
Ingredientes
3 xícaras (500ml) de suco de abacaxi (feito com 3 rodelas de 2 dedos de espessura + 250ml de água + 1 colher (sopa) de mel);
2 colheres de chá de ágar-ágar (4g);
2 unidades de pêssego fresco cortado em cubinhos.

Modo de preparo
Dissolva os 4g de ágar-ágar no suco e leve ao fogo. Sempre mexendo, ferva por cerca de 2 minutos. Retire do fogo, acrescente os pedacinhos de fruta e coloque em um recipiente de vidro grande ou divida em potinhos de sobremesa. Espere esfriar e leve à geladeira por 1 hora ou até que fique firme.

 Vitamina de fruta com quinua

Ao invés de sempre oferecer um leite com achocolatado cheio de açúcar, que tal servir uma vitamina cheia de vitaminas, minerais e fibras? A quinua é um cereal riquíssimo em nutrientes! Fornece vitaminas A, B1, B2, B3, B6, E, C e minerais como o ferro, fósforo, potássio, magnésio, zinco e cálcio. Portanto, faz bem para os olhos, pele, sistema nervoso, previne contra anemia, ajuda na formação dos ossos e dentes. E ainda tem bom aporte de aminoácidos, que formam as proteínas.

Ingredientes
200ml de leite de vaca ou leite de amêndoas;
½ maçã pequena;
1 fatia de mamão;
2 bananas ouro ou ½ nanica;
1 colher (sobremesa) de quinua em flocos.

Modo de preparo
Bata todos os ingredientes no liquidificador até ficar homogêneo.
Rende 1 porção (copo grande).

 Sorvete cremoso do bem!

Sem aditivos químicos e gorduras saturadas. E a banana é boa fonte de energia, ajuda no funcionamento do intestino, equilibra as funções cerebrais e é boa para o ossos. A castanha, além de ser fonte de vitaminas, minerais, aminoácidos e fibras, ainda possui ácidos graxos mono e poli-insaturados, ou seja, gorduras do bem. O cacau é rico em catequinas, que ajuda a estabilizar os hormônios, principalmente o cortisol, que é o hormônio de estresse e pode gerar compulsão alimentar!

Ingredientes
1 banana congelada sem casca;
1 c. chá rasa de cacau em pó;
3 unidades de castanhas de caju sem sal.

Modo de preparo
Bata no processador ou liquidificador até ficar cremoso. Triture as castanhas e sirva por cima do sorvete. Rende 1 porção.

 Crepe verde

Ótima opção para o almoço ou lanche da tarde! A aveia estimula a saciedade, controla a glicemia (açúcar no sangue), reduz o colesterol e regula o trânsito intestinal. A couve garante bom aporte de minerais, como o cálcio e magnésio, e vitamina C.

Ingredientes
200ml de leite de vaca ou de leite vegetal
½ xícara de chá de farinha de aveia
½ xícara de chá de farinha de trigo integral
1 ovo
1 folha de couve já higienizada
1 colher de café rasa de sal

Modo de preparo
Bata tudo com um mixer ou no liquidificador até ficar homogêneo (fica líquido mesmo!). Coloque uma conchinha pequena da massa na frigideira antiaderente  e gire a frigideira para espalhar a massa por todo o fundo. Após 1 minuto mais ou menos, com o auxílio de uma espátula, desgrude as bordas e vire do outro lado para dourar levemente. Faça o mesmo até acabar a massa. Recheie e enrole ou dobre em quatro!
Para o almoço, uma boa opção de recheio é um refogado de peito de frango desfiado com cebola, tomate picadinho e salsinha.
Para um lanche da tarde, você pode trocar o frango por ricota ou tofu (queijo de soja). Amasse com um garfo, coloque um fio de azeite extravirgem, tomate picadinho, cenoura ralada, um pouquinho de sal e orégano.

Marina Toledo é nutricionista e atende em consultório na cidade de São Paulo.
Dúvidas e sugestões entrem em contato:
nutri.marinatoledo@gmail.com